6 de setembro de 2008

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vôo em alturas inomináveis
por entre delírios coloridos e tridimensionais
vejo deus no meio do excesso de concreto
sinto a mãe divina no meio da poluição
eu
que võo sem asas
junto as mãos na alvorada
pedindo força e foco
para entender o xadrez capitalista
vejo tudo e não sinto nada
suspiro
extasiada
cansada
aliviada
destruída

falo com o cosmos
negociando a sobrevivência cabal
do aparelho que ocupo

canto com os pássaros
e com outras mulheres
vivo pra cantar
e pra sonhar

4 de abril de 2008

berimbau


aqui de dentro da cidade
sinto o mar
ainda que desregulado dentro de mim
vou-me embora pra passárgada
lá sou amiga do rei!
vou e sei nadar
vou até a ilha que devo buscar
dentro de mim
no maior oceano de Deus
o eu

vou até onde possa me levar

sigo

na cidade
no caos
somos apenas bichos urbanos
sem rumo
perdidos na poluição espiritual e material

(alguns julgam ter encontrado a verdade. mentira. a verdade é relativa a cada umbigo.)

penso nas vezes que o mar quase me engoliu
eu brinquei com o Rei
e quase fui nele morar
aí medito na insistência da vida
na insistência de Deus

sigo translúcida
já gritei de desespero
já apanhei no escuro
mas agora, sigo segura
com minha vela, na beira mar

vou pra ilha que vai me aconchegar
estranha no ninho
sempre fui

agora vou voar
na água

vou voar com iemanjá

aqui, dentro de mim

5 de março de 2008

o sistema hiltler


akira kurosawa


enfurnecida neste aparelho que deus me deu
estrouloquecida nesta cidade que o homem pariu

viajo para dentro da célula das coisas e sinto o frio dos pólos
a comunicação não garimpa mais


estamos todos em rede, solitários
, esquisitos, cheios de tiques

avisto o centro da discórdia
sinto o seu apelo terrorista
seu poder devastador

um estrondo diário se dá em cada avenida paulista

extremamente terráqueos, seguimos em série pelas ruas

lotamos as moradias e transportes

e eu aqui
sem entender o poder do meu aparelho...

pra que tanto poder, meu deus do céu? 
para ficarmos confinados em cubos, digerindo a vida a conta-gotas?

saio pela rua.
o cheiro me entorpece.
a noite acontece.
mais uma noite se
esvai.

14 de dezembro de 2007

Pisces


assisto as estrelas
embasbacada

como são belas e pequeninas

assisto as loucuras
bestificada

principalmente aquelas cometidas por aqueles que nos rodeiam

vejo teu imaturo egocentrismo
estatelada

que saudades das pequeninas estrelas!

observo esse mundo
tão sem chão

e rezo ao Cosmos, piedade

6 de dezembro de 2007

re


inspirado em Haroldo de Campos


re nasce
re morre
re nasce
se
se
se
renasce
renasce completamente
parto
sangue
grito

remorre
e renasce
para reaver
deus

28 de novembro de 2007

teu fel meu mel


tua ignorância
me diverte
me converte
em mim mesma
reforça meu desejo de voar

tua ignorância
me protege
me torna mais humana
e menos cruel

tua ignorância
se transformou
em mel