5 de fevereiro de 2012


eu sou bipolar
eu sou o sol
eu sou a lua
eu sou tripolar
eu sou o mar
...
eu sou o vento
eu sou a areia
eu sou quadripolar
eu sou o fogo
eu sou a luz
eu sou a água
eu sou a brisa
eu sou unipolar
eu sou deus
eu sou eu
humano
eu sou único
eu sou tudo
eu sou você
eu sou o todo
eu estou na borda
estou dentro e fora
eu não sou nada
no entanto
sou tudo
sou eu
sou o centro
do meu centro
no centro
que paira
que pira
que varia
que vareia

eu sou luz e escuridão
eu sou multipolar
 
kayky avhram e mariana waldow

14 de outubro de 2011

boa confusao!......

meu deus que confusão...
que baita confusão...!
um homem no salão; decisões no porão;  meditações na natureza; muita beleza; não sei, parece que não vai haver solução.
muito silêncio no salão.
deus pediu:
união.

mas nem isso conseguiu...
pobre deus...
união, que pregou, que pediu, que deu, e não recebeu,e que, e em realidade, lhe traumatizou:
é a união, a maior ferida humana.

eu uno a mim é fácil.
eu uno à ti é sonho.


tão simples assim.

3 de outubro de 2011


enfim...
enfim...
enfim...

enfim sós.
eu comigo.
eu e meu umbigo.
eu e migo.
eu meu amigo.
eu me sigo.
eu me amo
eu me cuido
eu me divinizo

o nó.
sem dó



deu
eu
deu
deus

8 de dezembro de 2010

sem a fúria dos objetos

sem a fúria de nada
de ninguém
sem a fúria da vida
sem a loucura da competição
sem regra
sem tortura
sem nonsense

semente

2 de setembro de 2010

abuso de poder é veneno
qualquer abuso é podre

matar alguém com uma arma é crime
matar alguém psicologicamente é crime
matar o amor é crime
matar o direito é crime

fingir que vida é só luz é ignorância
confundir espiritualidade com cegueira mental é opção
reduzir o mundo a uma única dimensão é crime

abuso de estupidez é crime

sofisticar máscaras pode parecer evolução
mas para ser
não basta parecer

a verdade essencial não é para muitos 
não tem receita fixa
e não é absoluta 

7 de julho de 2010

a zona de conforto é o espaço perfeito para a involução.
o lugar da estagnação.
o endereço para a morte dos sentidos.
o ponto imutável.
a zona mais propícia para se morrer vivo.

1 de julho de 2010

num grito de libertação
com uma propriedade nunca antes sentida
saí nua pelas ruas onde vivo
onde morro
nua.

livre de qualquer pudor, vergonha ou moral,
feito um animal,
corri da desgraça, para a luz.

em êxtase sui generis, me despedindo da vida, daquela vida que havia vivido até ali, nua, em pleno dia, morria.
ria compulsivamente, aí chorava histericamente; babava muito, suava e derretia, com olhos amarelos de bilirrubina.
deformada, solitária, extraditada da minha organicidade, em transe psico químico mental metal metafísico, total, sentia contato com o que chamo de verdade.
como um vulcão desperto, explodi em multi meios, sem freios, sem receios.
toda as ilusões que me constituíam, milhões delas, feito órgãos, feito sangue, feito gente que achei que amava e que me amava, feito pseudo amor; projeções tão concretas quanto montanhas, ou esgotos, implodiram dentro de mim, e dei o grito mais estridente, não melódico, desesperado, libertador e raro. vomitei em som.
na não-linearidade renasço.
sangue cigano é meu passo.
expandi na velocidade da luz.
os céus se fecharam, o sol se multiplicou. vi o que vejo quando desperta, quando alerta, sem ruídos, sem definições.
todas as formas ruíram, na doce sinfonia dos sentidos.
tudo o que acreditava era nada.
a seiva da existência, simples e rudimentar, sofisticada e estelar, me levou.
nua, diante da rua e da lua, da sociedade, da máxima dor e do pleno gozo, abri os braços e morri.
amarela, verde, roxa, sangrei toda a dor que até aqui guardava como se fosse tesouro. dissipei o veneno que habitava em mim, murchei numa grama qualquer, e ouvi o silêncio do começo dos tempos.

dentro de mim meu Mestre.
e cegada pelo brilho da visão, desmaiei, inebriada de lucidez.

lúdica, corri por entre tantas ruas, sorri para tantas almas, mesmo as mais medíocres e pequenas; joguei fora todas as amarras, cuspi na matéria, saudei a insanidade, comi flores e poemas, vi que a vida é muito além do que sonha nossa vã realidade. nossas vãs idades.

renasço da morte do jogo.

pobre daqueles que seguirão suas existências escravos de seus sentidos, na mediocridade da carne. o ensaio sobre a cegueira não é mais ensaio. está em cartaz. em todo canto do mundo.

agora nua com o sonho real,
busco meu capital particular.
não há mais o que esconder. 
não há mais tempo a perder. 
cada segundo vale vida. cada perda de tempo não vale a perda.
é merda.