18 de março de 2009

eu sou bipolar
eu sou o sol
eu sou a lua
eu sou tripolar
eu sou o mar
eu sou o vento
eu sou a areia
eu sou quadripolar
eu sou o fogo
eu sou a luz
eu sou a água
eu sou a brisa
eu sou unipolar
eu sou Deus
Eu sou único
Eu sou tudo
Eu sou você
Eu sou o todo
Eu sou multipolar
Eu sou o eterno presente
Eu sou tudo
Eu sou nada



kayky avraham

14 de outubro de 2008

dona antônia de queiroz, sem número.




uma criança foi lançada, como um cometa, do céu.
em direção ao chão.
uma criança, contra o chão, produziu um barulho absurdamente seco e poderoso.

a criança ali, no chão. 12:30. caiu do prédio. no meio da rua. caiu do céu...sem véu. de rosa. ela vestia rosa.

eu não queria ter essas informações. nem cinéticas, nem épicas, nem bestas. tudo besta...eta vida besta, dizia o Poeta...

meu corpo não podia digerir aquela informação.


a divina comédia.

ou a tragédia divina?

a sina do olhar, numa sociedade cheia, pós-lotada, contemporânea e rudimentar a um só tempo.

a morte e o movimento.

o deus nos acuda, a liberdade estética, a demência política, a sinestesia artística, as vanguardas religiosas, os deuses, os semi-deuses, todos aqui e agora; a vida cibernética, a ética, os sonhos de todos os que se mexem, e dos que não, a vida acontecendo urbana, suburbana, desumana.

a menina de rosa caiu...
de altos andares.
não gritou.
o seu não-grito me socou.

nao houve grito.
parece que houve rito...

uma menina, que vestia um moleton rosa.

a menina, a menina-mulher, voou.

3 de outubro de 2008



vem metade
te olha no meu olho
é só me dar a mão

vem beldade
sai do pedestal...sai da tua idade
acorda
o tempo é outro
não temos tempo de fingir

sai da cidade
vem pro pequeno
do coração

a eternidade.


Eu saí da minha terra / Por ter sina viageira
Cum dois meses de viagem / Eu vivi uma vida inteira
Saí bravo, cheguei manso / Macho da mesma maneira
Estrada foi boa mestra / Me deu lição verdadeira
Coragem num tá no grito / E nem riqueza na algibeira
E os pecado de domingo / Quem paga é segunda-feira

anônimo

6 de setembro de 2008

.



vôo em alturas inomináveis
por entre delírios coloridos e tridimensionais
vejo deus no meio do excesso de concreto
sinto a mãe divina no meio da poluição
eu
que võo sem asas
junto as mãos na alvorada
pedindo força e foco
para entender o xadrez capitalista
vejo tudo e não sinto nada
suspiro
extasiada
cansada
aliviada
destruída

falo com o cosmos
negociando a sobrevivência cabal
do aparelho que ocupo

canto com os pássaros
e com outras mulheres
vivo pra cantar
e pra sonhar

4 de abril de 2008

berimbau


aqui de dentro da cidade
sinto o mar
ainda que desregulado dentro de mim
vou-me embora pra passárgada
lá sou amiga do rei!
vou e sei nadar
vou até a ilha que devo buscar
dentro de mim
no maior oceano de Deus
o eu

vou até onde possa me levar

sigo

na cidade
no caos
somos apenas bichos urbanos
sem rumo
perdidos na poluição espiritual e material

(alguns julgam ter encontrado a verdade. mentira. a verdade é relativa a cada umbigo.)

penso nas vezes que o mar quase me engoliu
eu brinquei com o Rei
e quase fui nele morar
aí medito na insistência da vida
na insistência de Deus

sigo translúcida
já gritei de desespero
já apanhei no escuro
mas agora, sigo segura
com minha vela, na beira mar

vou pra ilha que vai me aconchegar
estranha no ninho
sempre fui

agora vou voar
na água

vou voar com iemanjá

aqui, dentro de mim